(...) Um temperamento meio nervoso, meio irritadiço, é o mais favorável para a evolução de tal embriaguez; acrescentemos um espírito cultivado, adestrado nos estudos da forma e da cor; um coração terno, cansado pela infelicidade, mas ainda pronto a rejuvenescer; se você cocordar, iremos até a admissão de velhos erros e o que eles devem acarretar numa natureza facilmente excitável: se não remorsos propriamente ditos, ao menos o pesar pelo tempo profanado e mal empregado. O gosto da metafísica, o conhecimento das diferentes hipóteses da filosofia sobre a existência humana não são, é claro, complementos inúteis - como tampouco o são aquele amor à virtude abstrata, estóica ou mística, que é definida em todos os livros de que se nutre a infância moderna como o mais alto patamar a que uma alma distinta pode ascender. Se acrescentarmos a tudo isso uma grande finura de sentidos, que omiti como condição suplementar, acho que reuni os elementos gerais mais comuns do homem sensível moderno, daquilo que poderíamos chamar de "a forma banal de originalidade". (...)
Pg. 55
Nenhum comentário:
Postar um comentário